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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Uma Universidade Clássica e a Modernidade

 

 Samuel Bradley



A Universidade de Coimbra, na qual estou há dois anos e caminho para o terceiro, não tem, que eu tenha visto, em nenhuma das suas infraestruturas um local próprio de acondicionamento seguro e prático para bicicletas. Coimbra talvez não seja a melhor cidade, devido às suas inclinações e declives, para a fácil prática do ciclismo. Mas, também não é menos verdade, que pouco ou nada se tem feito para ajudar a melhorar a situação. Anotando esta falta, dirigi-me a quem de direito na minha faculdade para propor uma solução com os seguintes argumentos:

 

                "Exmo. Senhor Diretor,

 

Solicito a atenção de V. Exa. , no inicio de mais um ano letivo, para uma proposta que tenho para lhe apresentar referente às instalações da FLUC. A sugestão passa pela instalação, no átrio de entrada da faculdade, junto ao posto do segurança e perto de uma das portas principais, de um suporte para estacionamento de bicicletas. De modo a colmatar uma falta existente em toda a zona envolvente e inerente à faculdade.

 

Pois, mesmo quem se queira deslocar à FLUC através de uma bicicleta, seja para lecionar ou aprender, não tem onde depositar a mesma em segurança. Pois no exterior além de sujeita às intempéries ou exposição solar abrasiva, a bicicleta não tem outro local de acondicionamento se não junto aos postes de iluminação, não tendo garantida a sua segurança contra um eventual furto ou extravio.

 

Esta medida seria não só uma forma de colmatar esta lacuna, bem como uma forma de apoiar a prática de estilos de vida saudáveis e económicos de toda a comunidade universitária, ainda mais numa altura de tantas dificuldades económicas. Embora situada na Alta de Coimbra, o acesso ao Polo I através da Calçada Martim de Freitas regista uma inclinação ligeira e fácil de executar para todo o ciclista.

 

Sem mais me despeço, aguardando a sua resposta."

 

A resposta não se fez esperar, e para meu espanto foi supremamente insatisfatória como inexplicável também:

 

"Caro estudante João Pereirinha,

 

Sou sensível à sua sugestão, que agradeço e compreendo.

 

Partilho, de resto, das suas preocupações.

 

Acontece, porém, que há duas objeções de fundo:

 

  1. Não me parece que os serviços responsáveis pelas instalações, na Universidade, deixassem criar um espaço para bicicletas no átrio da FLUC; seria inestético e desvirtuaria aquele espaço.
  2. Resta uma solução fora da Faculdade; mas, nesse caso, a competência não é da FLUC, mas do Serviço do Edificado, que é um dos serviços comuns da UC.

 

Se me permite a sugestão: porque não dirige a proposta ao Senhor Reitor? Talvez ele tenha sensibilidade para ela e capacidade para encontrar uma solução."

 

Ora, inestético? Pois bem, segui a sugestão e comuniquei ao Reitor, hoje, acrescentando os seguintes argumentos:

 

"Da parte do Doutor Carlos Manuel Bernardo Ascenso André, a resposta foi de que tal projeto tenderá a ser “seria inestético e desvirtuaria aquele espaço”. Pois, no âmbito de uma Universidade do século XXI tal ponto não pode ser válido. Visto que, assim sendo, a utilização de videoprojectores em aula – prevalece a decoração e mobiliário da fundação em toda a faculdade - também o seria, de igual modo, inestética. Além de que, sendo esta uma Universidade que se tem vindo a afirmar cada vez mais pelo modernismo e os avanços nos descobrimentos cientifico-tecnológicos tal investimento não poderá ser visto se não como mais um passo para a modernização do seu ambiente em prol de toda a comunidade universitária, de professores aos funcionários e alunos.


Em alternativa, e sem mais hipóteses, poderia encontrar-se uma solução junto do Serviço do Edificado, para uma solução exterior que possam servir todo o Polo I. Se assim for, tal resolução, embora pouco satisfatória, será melhor que nada. Visto que não se compreende de todo que a Universidade de Coimbra, uma das mais prestigiadas do país, reconhecidas internacionalmente e referenciadas no âmbito do desenvolvimento e descobrimento académico, não se ocupe uma posição perto de meios de transporte económica e ambientalmente sustentáveis. Para mais numa altura macroeconómica que força o aumento dos custos dos transportes públicos e privados, privando muitos de um meio de transporte. A solução em muitas cidades do mundo, e também portuguesas, tem sido o recurso a este meio, barato, saudável e ecológico. Seria uma ótima oportunidade para a Universidade mais antiga do país marcar a sua posição face à modernidade, ambiente e saúde em geral."

 

Vamos ver se há espaço para uma abertura a uma forma de vida sustentável, actual, moderna e saudável dentro de uma Universidade Pública, mas Clássica.

 

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