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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Não basta votar, é preciso conhecer quem se elege!

 FILLER_2000, Samuel Bradley



Argumentar que o mundo evoluiu para melhor nas últimas décadas, baseando-se em algumas liberdades conquistadas e no desenvolvimento dos conhecimentos relativos a aplicações tecnológicas que nos modelam a vida, não é de todo uma afirmação verídica ou analítica, e chega a ser demasiado vaga. Primeiro porque não existem estudos suficientemente alargados e abrangentes que comprovem esse raciocínio. Posteriormente porque vivemos num macro sistema global onde a riqueza está parcamente distribuída por uma percentagem insignificante da população mundial, e ao mesmo tempo o modelo económico que gera toda essa desigualdade baseia-se em relações de dívida e compra. A dívida existe em todos os estados-nação e a riqueza em todos os que compram essa dívida, enriquecendo sem sequer gerar riqueza, apenas especulando e gerando mais dívida.

 

Ao mesmo tempo veja-se como são geridas todas as democracias, pelo menos as dos países ocidentais. Há um pequeno grupo de pessoas que circula entre os postos de poder político e administrativo, alegadamente em representação das populações, dos indivíduos sem rosto e que formam a massa imensa da produção de riqueza em cada país. Mas, de momento, os únicos beneficiados são precisamente os que conseguem entrar nessa teia de influências, de favores, contatos e prestação de serviços que dá pelo nome de política e, em simultâneo, todos os seus clientes e empresas com interesses particulares em diversos sectores estratégicos e nucleares nas dinâmicas sociais e económicas.

 

Por isso considero que, apesar de já o ser de algum modo em poucos países, por lei, qualquer candidato a um cargo político-administrativo deveria ser obrigado a revelar toda a sua situação tributária e social. Ao mesmo tempo, todos deveriam ser colocados nos seus cargos através de voto, popular nos casos óbvios, ou pelo menos por pares – em hospitais, deveriam ser os próprios médicos a votar entre si no melhor profissional para gerir os serviços, por exemplo – ou, na impossibilidade de tal caso, por concurso público e nunca através de nomeação. A nomeação devia ser proibida por lei.

 

Todos os candidatos deveriam perder o direito ao sigilo institucional, em prol de uma maior transparência. A mesma lei deveria ainda prever uma proibição da acumulação de qualquer tipo de serviço profissional, remunerado ou não, durante a execução dos cargos públicos. Assim como deveria ser proibido qualquer tipo de representação ou consultoria jurídica, anulando qualquer licença de trabalho concedida por qualquer Ordem profissional, desde o Direito às Engenharias. É fundamental para as populações não só saber quem são aqueles que se apresentam constantemente como os messias do novo milénio, como ter a certeza de que o seu único interesse é precisamente o daqueles que votem neles como seus representantes.

 

Só assim, quando os cargos políticos forem sinónimo de devoção, representação, transparência e empenho, é que a política e as democracias (mais ou menos representativas) poderão evoluir em direção a algo minimamente melhor. Além de exigir ponderação a quem se apresentasse, exigia ainda transparência e dedicação, funcionando, no mínimo, como uma espécie de filtro a muitos interesses impregnados nos arcos do poder atualmente. A questão é: será que há espaço para alguém propor sequer algo parecido, e mais, para o conjunto da maioria dos que governam aprovar algo parecido? Mais do que escolher em quem votar é importante que essa escolha seja consciente, informada e medida. Para que isso seja significante é necessário que todos nós consigamos saber até ao tutano qual a identidade de um administrador dos bens públicos, de todos. 

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