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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

30 anos

30

Trinta anos e um dia. Eu nunca gostei de fazer anos. Talvez seja mais uma mania do que uma convicção, mas com o tempo habituei-me a ignorar a passagem do tempo e a menosprezar a sua inevitabilidade. Por fazer anos em Agosto, no meio das férias de verão, poucas vezes tive direito a festas e raramente tive o privilégio de poder contar com os meus colegas de turma, amigos ou não, levados até lá pelos pais, reunidos à volta da mesa, ansiosos para cantar os parabéns, ver-me soprar as velas e provar uma fatia de bolo. No meu aniversário toda a gente estava de férias. Ainda assim, lembro-me de um verão em que os meus pais mandaram fazer um bolo em forma de Pikachu e reunimos todos os meus primos, os de longe e os de perto, em casa dos meus avós. Ainda guardo duas bonitas fotografias desse dia, uma onde a minha mana está imensamente feliz por poder soprar as velas comigo. Outra, onde estou eu, ela e todos os meus primos lado a lado, junto às muralhas, com o meu avô no meio. Tenho saudades de ser criança.

 

Não gosto da passagem do tempo. Normalmente, costumava assinalar esta data com uma citação sobre a efemeridade da vida, a minha preferida é do Saramago, com a qual aproveitava para agradecer todas as mensagens de aniversário que recebi ao longo do dia. Habituei-me a ser o mais novo dos círculos em que estava inserido e quase sempre isso era bom sinal. Mas com o passar do tempo começa a haver alguém mais novo, e quando isso não acontece nem sempre é bom sinal. Porém, às vezes a idade não se reflete externa ou internamente. E lá vou recebendo um "menino", um "não parece nada", um "guri", um "gaiato". Coisas que sempre usei como armadura, como elogio, como um agrado. 

 

Talvez não goste da passagem do tempo por sentir que ela me aproxima da morte. Afinal, fazer anos nada mais é do que assinalar que ainda estamos vivos, e não existe muito mérito nisso. Quando nasci, a esperança média de vida no meu país era de 70 anos para os homens e 77, 7 para as mulheres. Hoje, os homens igualaram essa marca e as mulheres subiram para 83 anos. Já no país onde vivo, para quem tem 30 anos a expectativa de vida é 78,7 anos. O que não significa que não possa ser abreviada. Como tem sido ultimamente. Há dias dei por mim a pensar que as pessoas só deviam morrer quando estivessem cansadas de viver, de facto, satisfeitas pelo que viveram. Talvez nunca me sinta assim, satisfeito. 

 

Contudo, posso dizer que me sinto muito feliz, enfim chegado aos trinta. Pode ser clichê, pode ser um mero devaneio, mas da mesma forma que o tempo passa por nós, nós também passamos por ele e vamos guardando as marcas da vida que ele deixa em nós. Algumas delas refletidas nas mensagens e nos gestos, nos sentimentos e nos afetos que recebemos, nas lutas que escolhemos travar, naquilo que construímos e no que aprendemos a desconstruir em nós mesmos. E por mais que seja só um clichê, a passagem dos anos que festejamos nestas datas não deixa de ser um ótimo ponto de partida para celebrar e agradecer por cada uma dessas coisas. 

 

Obrigado pelas mensagens e carinho de todos e cada um. Obrigado pelas surpresas. E sobretudo pelo amor daqueles que fazem de mim melhor pessoa, todos os dias e a cada novo ciclo! 

 

Com amor, 

João.

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