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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Parar no Tempo

 

 

 

 

Queria eu, por prazer ou simplesmente por capricho, ter nas mãos o poder de tudo mudar, de alterar o ciclo da vida, as marés, enfim, quem sabe até, mudar os astros, baralhar os físicos e enganar os matemáticos.

 

Talvez por não ser superior a ninguém e por ter necessidade de o ser, gostava de ter, na palma das minhas mãos e nas entranhas do meu ser, esse tal poder para tudo e todos comandar. Não se trata de uma vontade minha única e simplesmente minha. Muitos antes de mim a tiveram e depois de mim a terão enquanto que outros comigo a têm.

 

Mas talvez melhor assim seja

 

que tal poder

 

em mim não esteja,

 

pois se tal se confirmasse muitos seriam os problemas que o cosmos sofreria. Para resolver problemas habilidade confesso não a ter a modo que decisões certas não seriam o meu forte.

 

Por isso me contento todos os dias ao acordar,

 

ao levantar-me e com meus olhos poder vislumbrar

 

aquele rosto pálido que no espelho teima em se reflectir.

 

Todos os dias, ou pelo menos em alguns deles, me dou por feliz pela condição que o mundo me dá, deu, não dá e não me deu. Assim com harmonia posso passear, respirar, apanhar ar. Assim, como igual a todos os outros que apenas pelo vício e sem ambição nenhuma nem percebendo bem as razões do porquê, perdem minuto a minuto o tempo que passam a ganhar dinheiro.

 

Deste modo não peço mais ao mundo do que aquilo que eu lhe posso dar: Nada. Espero apenas e somente que o tempo me leve quem sabe desta para outra melhor, ou talvez não, dimensão. Enquanto o taque espera que o tique se dê como terminado vai o meu pensamento, sem rumo nem destino, à procura de algo que não o preocupe em demasia, tentando esquecer, por de parte ou quem sabe simplesmente não se lembrar dos problemas que o mundo lhe coloca, dos ensinamentos de química e física que o atrapalham a todo o instante, dos problemas ambientais que muitos dizem que causamos, ou das promessas que outros lhe fizeram e talvez de seu absurdo tamanho tenham sido registadas. Passeia ele por entre as paredes do vazio pois só ai se sente seguro.

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