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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

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RESUMO DOS ÓSCARES

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Foi uma das únicas galas que não teve apresentador e só ficou melhor. Não teve selfies nem piadas sobre descriminação, mas foi a cerimónia onde as mulheres e os negros levaram mais prémios. Porém, o Melhor Filme foi para um filme onde o ator principal é branco e precisa que um negro lhe ensine tudo.

 

O prémio de melhor ator foi para um ator branco (apesar de ter ascendência egípcia) que passou o filme a fazer Lip Sync, cujo mérito e trabalho pertencem totalmente a um tipo que morreu há mais de vinte anos, descriminado por ser gay e ter SIDA, numa altura em que ninguém percebia o que é que era aquilo que andava a fazer, com a música.

 

Já o melhor ator secundário foi para o ator negro do Melhor Filme, que preferiu concorrer como ator secundário porque sabia que ia perder para o tipo do Lip Sync. Pois, apesar de ser o melhor ator que pisou o palco durante a noite inteira, o facto de ser negro é sempre um grande pormenor a ter em conta. É a segunda vez que ganha o mesmo prémio. Por isso, o filme sobre o polícia negro que se infiltrou no Ku Klux Klan, com a ajuda de outro polícia judeu, só ganhou o prémio de melhor roteiro adaptado.

 

Assim como aquele filme que tinha o mesmo nome que o apelido do Eusébio, Pantera Negra, onde mais de 90% do elenco era negro, que mostrou a história do primeiro super-herói negro, que inspirou famílias e crianças em todo o mundo a terem orgulho da sua cor de pele, só ganhou numas quantas categorias técnicas, como cenário, figurinos e mistura de música, o que mostra bem a ideia que a academia continua a ter sobre a Cultura negra.

 

Por seu turno, a cerimónia começou com três mulheres em palco, e aí foi mais uma mulher negra a conseguir levar o prémio de melhor atriz secundária. Até porque o prémio de melhor atriz principal foi para uma rainha branca. Tinha que ser.

 

Já aquele ator que fez de Cavaleiro das Trevas há uns anos, voltou a ser ignorado, porque apesar de utilizar o Método de Stanislavki e engordar ou emagrecer consoante a sua personagem, os tipos acharam que aquilo era maquilhagem e deram-lhe precisamente esse Óscar. Até podia ter sido. Outro que foi totalmente ignorado, numa altura em que se acredita que a terra é plana e o homem nunca foi à lua, é aquele filme que mostra quantas pessoas tiveram que morrer até a NASA mandar fazer as imagens do primeiro homem na Lua num estúdio de Hollywood. Deve ser por isso que ganhou o prémio de melhores efeitos especiais, quando concorria com filmes que praticamente só tinham efeitos especiais.

 

Enfim, enquanto o Trump não constrói um muro à beira do México, lá foi um mexicano levar mais três estátuas para casa, por ter feito um filme onde fez quase tudo sozinho. O mesmo que já tinha ganho outra vez, por um filme onde uma astronauta fica sozinha no espaço.

 

Depois houve as curtas e os documentários, os filmes estrangeiros, que são os nossos, e as animações, que só vê quem tem filhos ou vai a sessões cult por engano, ou então por causa daquelas mensagens correntes sobre causas e coisas a que tens que aderir imediatamente. Um dos vencedores foi um documentário sobre um tipo que escala montanhas como o Tom Cruise no Missão Impossível II, mas este nunca ganhou um Óscar à conta disso, até porque não estava a representar nem tinha efeitos especiais, nem duplos, nem imagens de drones.

 

Por falar em filmes que não vi, mas com uma música que já toda a gente ouviu vezes sem conta, quem roubou a cena sem fazer Lip Sync, mas quase a beijar os lábios daquele tipo da Ressaca, foi a rainha Lady Gaga, que ganhou o Óscar com esta música e disse que o importante é uma pessoa nunca desistir dos sonhos, a não ser que o sonho seja demasiado idiota.

 

Pronto, foi isto. Mas se quiserem, esperem pela versão da gala legendada e sem apresentadores, porque o som da Fox estava muito baixo.

 

Foto © Chris Pizzelo - TIME

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