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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Perdemos a fome de Revolta?

            Hoje em dia as pessoas perecem ter perdido a vontade e a força para se indignarem e revoltarem com as coisas do dia a dia… deixa andar; já é normal, o que haveremos de fazer?... Todos repetimos estas frases que já alguma vez ouvimos dizer!

 

            Na verdade todos nos lamentamos das coisas más, ou mal feitas com que nos deparamos sucessivamente quando vamos para o trabalho; quando ficamos empatados no transito; quando chegamos atrasados a um compromisso; quando vamos ao supermercado; sempre que nos dão ou entregam um documento fora do prazo estabelecido; sempre que nos deparamos com dificuldades, mas somos incapazes de intervir no mundo que criámos, e aqui o ponto onde eu queria chegar, o mundo só muda se nós o mudarmos.

 

            Não nos podemos esquecer de exercer a nossa cidadania. È verdade que muitas vezes quem o faz é acusado de falsos moralismos e de idealistas, criticas lançadas não pelos que nos mostram como se devem ser feitas as coisas mas pelos que são os primeiros a voltar as costas aos problemas. Mas, como sempre digo, nem Cristo agradou a todo o mundo, porque haveremos nós de o querer superar?

 

            Desta vez não vou andar com mais rodeios nem argumentos: revoltem-se! Mostrem ao mundo o que está mal, ou que não está, dêem sugestões, apontem alternativas, mostrem caminhos. Está nas nossas mãos mudar o que está por mudar, está nas nossas palmas a esperança de uma sociedade melhor. O que esperamos? Ninguém vai tapar aquele buraco se nós não nos queixarmos da sua presença. Agora percebo como podemos eleger um ditador como o “maior português” de sempre, afinal de contas ele tomava todas as decisões de todos, e também poucas vezes ou quase nenhuma vez saiu de Portugal.

 

            Tomadas politicas à parte, o que está em causa é o nosso poder de cidadania. Temos que intervir, ser mais activos, tomar posições, pior que uma má posição em relação de um qualquer assunto é não ter sequer uma posição tomada ou não compreender qualquer tipo de argumentação, pois quando assim é facilmente somos burlados pelas falácias e enredos dos mais abeis.

 

            Infelizmente verificamos esta falta de atitude um pouco em todos nós. Não se trata de dar ou ser o exemplo, mas sim de dar um paço, tomar e fazer parte. Mas se os mais velhos já denotam alguma falta de capacidade para agir nas pequenininhas coisinhas insignificantemente significantes das nossas importantes vidas intemporalmente resistentes, os jovens posso-o afirmar, não são portadores, nas suas veias, de acção, movimento ou vontade de interpelar o conteúdo. Porque é que somos tão apáticos em relação às nossas vidas, aos nossos caminhos, às nossas metas, às nossas pequenas convicções, aos nossos problemazitos? Há que soltar amarras. O futuro depende de nossas vidas, e se já houve outros que no passado nos condicionaram o presente, somos nós, os putos, que temos que corrigir o futuro que está por acertar.

 

            A grande arma que todos possuímos, desde muito pequenos, é o poder de agir, intervir, observar e constatar, porque haverão de ser apenas alguns a faze-lo? Não quero viver assim, num mundo em que não há vozes críticas, onde não há oposição e onde os argumentos são em grande suma falaciosos. Não há que agravar mas ajudar, não há que prejudicar mas melhorar, temos que passar a programar, a observar mais, e acima de tudo, temos que passar falar mais, temos que passar a ter voz forte, onde se possam ouvir as nossas indignações, temos que passar a ter pulso firme assente em porto seguro, apoiado por colunas sólidas.

 

            Somos nós que temos no horizonte a meta de criar e formar tudo, tudo de novo, reconstruir, destruir, organizar ou desorganizar, só não podemos é deixar as decisões para os mais espertinhos, não deixem o poder cair na rua…

 

 

 

João Pereirinha

 

02.05.2007

 

 

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