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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

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Bolsonaro envenenou a democracia

Dimitris Georgopalis

Já se tornou uma rotina. Bolsonaro voltou a ameaçar a democracia, numa manifestação, afirmando que tem o apoio dos militares e que chegou ao "limite" e "não vamos negociar mais". Já não sabemos se é real ou não, da mesma forma que não sabemos para que servem as notas de repúdio da oposição e judiciário. É verdade que “qualquer homem que precisa dizer 'eu sou o rei' , não é um verdadeiro rei” (Tywin Lannister, Game of Thrones). Mas também é verdade que para dar um golpe não é preciso ter o exercício inteiro do seu lado. Da mesma forma que Dilma caiu (sem cometer crime) por não conseguir segurar 1/3 do Congresso, Bolsonaro percebeu que basta bajular essa parcela do centrão, com cargos em todos os ministérios, para se manter no poder, cometendo todo o tipo de crimes, ou até mesmo dar um autogolpe, se achar necessário.

Na mesma manifestação, os apoiantes de Bolsonaro chegaram a agredir os jornalistas, apenas por serem jornalistas. Nada melhor do que uma crise para impor um regime autoritário, fascista e escravocrata, com apio popular. O que subleva qualquer acusação ou repúdio.

Portanto, qualquer político minimamente decente, neste momento, só tem uma hipótese: mover todos os esforços possíveis e impossíveis, mesmo com cedências, para promover um processo de destituição imediato, rápido e eficaz. Se ficar quieto e omisso, à espera do que vai acontecer, pode arriscar presenciar o fim do regime democrático, a queda da separação de poderes, a abolição das instituições de contrapeso e a transformação da lei básica numa "constituição semântica". Isto se entretanto não morrer também de Covid-19, nem for dado como morto de insuficiência respiratória e enterrado numa vala comum. Pois tudo isto está a acontecer durante uma das maiores Pandemias da história, com subnotificação de casos e mortes, com uma total ausência de respostas económicas e sanitárias, com insentivos à quebra de quarentena e isolamento e, lá está, manifestações semanais de apoio à necropolítica do governo.

Excluíndo o impossível, reta-nos o provável. Se não forem encontradas saídas políticas e legais, entre o Congresso e o Judiciário - sob ataque constante do Executivo - para travar o autoritarismo bélico em que ele se alicerça, resta-nos o quê? Há 100 mil infectados e 7 mil mortos registados pela Covid-19 no Brasil, mas os estudos dizem que podem ser dez vezes mais, ninguém sabe ao certo. Portanto, a questão é: qual é o número aceitável de mortes para o tirar do poder? De nada vale uma democria que não passa de uma ficção jurídica, incapaz de proteger a vida do povo contra as atitudes de um facínora. Bolsonaro envenenou o regime e tem esvaziado o poder das instituições, sustentar uma democracia que não funciona é como beber água salgada para matar a sede, quanto mais bebemos dela mais próximos estamos de morrer.
 
 

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