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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

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Brasil: um estado que mata e manda matar

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Cerca de 19 mil mortos de Covid-19 e mais uma criança, de 14 anos, assassinada, levada e abandonada pela polícia. O horror de ter um estado que mata e manda matar. Brasil, um país refém da desumanização.

 

No mesmo dia que o país chega ao top mundial de mortes diárias, o governo brasileiro, com um militar como ministro da saúde interino e sem um plano unificado com os estados e municípios para realizar testes em massa, emitiu um protocolo que permite o uso em massa da cloroquina. Segundo este, os pacientes terão que assinar um termo de responsabilidade reconhecendo que o remédio não tem eficácia e que pode inclusive levar à morte. É a morte por decreto.

 

Por falar em morte, ufanista dos idos da ditadura, Regina Duarte foi à vida. Depois de minimizar a tortura e as mortes da ditadura, afirmando que “na humanidade, não para de morrer”,  ou que não assinalava a morte de artistas nacionais para não transformar o site da secretaria da Cultura num “obituário”, ela que só queria ser “leve”, sem “arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas”, voou de Brasília e foi parar à direção da Cinemateca Brasileira. A mesma que sob a sua gestão ainda não recebeu nenhuma parcela do orçamento anual. Talvez tenha ido para lá para poder queimar pessoalmente os filmes da história do Brasil.

 

Uma história que ficará profundamente marcada pela eugenia que este governo neofascista está a levar adiante, promovendo uma limpeza étnica e sem precedentes, pois o extermínio dá-se em todas as frentes. Ao mesmo tempo que mandam as pessoas sair à rua para trabalhar, retêm o dinheiro do auxílio emergencial e os bancos travam os bilhões entregues pelo governo para salvar microempresas e empregos. Enquanto voluntários distribuem cestas básicas, os polícias invadem favelas e comunidades, matando indiscriminadamente, crianças ou adultos.  Enquanto artistas e comunidades apelam a que se protejam as comunidades indígenas contra o Covid-19, o governo de Bolsonaro certifica fazendas em terras indígenas na Amazônia.

 

Só uma alma perdida não sente a dor, o sofrimento e a raiva de viver tudo isto. Como dizia Zeca Afonso, “a morte saiu à rua num dia assim”. Mas a luta faz-se lutando, diariamente, antes, durante e depois da pandemia, que veio para competir com uma montanha de absurdos e calamidades que já cá estavam, enraizados nas desigualdades que se perpetuam desde as primeiras chibatadas.

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