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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

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MOVIMENTO ZERO: UM FASCISTA EM CADA ESQUINA

A polícia e as forças de segurança pertencem à Democracia e não aos fascistas que nelas se infiltram

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No Brasil, o falecido Leonel Brizola costumava dizer: “Se algo tem rabo de jacaré, couro de jacaré, boca de jacaré, pé de jacaré, olho de jacaré, corpo de jacaré e cabeça de jacaré, como é que não é jacaré?”. Já o povo, costuma dizer que "as más noticias correm depressa", mas em Portugal observa-se este fenómeno raro onde os avanços chegam tarde e os atrasos surgem cedo. Ora, uma vez mais vimos como isso está a acontecer com a extrema-direita populista, neonazi, fascista e supremacista. Que o é, sem o ser. Que quer acabar com a democracia e com a paz social, com o pretexto de estar a defender e a exigir mais democracia e segurança. Deixa-se enganar quem quer.

Já não basta uma permanente vigilância dos democratas face aos nazi-fascistas. Já é tarde para isso. Eles não só andam nas ruas, como estão presentes nos meios de comunicação e têm um exército digital de gente pronta a aderir à sua retórica distorcida da realidade, como estão encobertos por falsos pretextos sociais, com os quais legitimam discursos de ódio. É preciso que haja organização, união e foco por parte de quem quer defender os valores e os ideais democráticos, sob risco e pena de que as instituições democráticas sejam tomadas de assalto pelos fantoches do fascismo, dispostos a puxar fogo a qualquer reivindicação social.

Por isso mesmo, também não basta apelar às causas sociais e às reivindicações progressistas, ou à justiça laboral, ou por melhorias das condições sociais, por si só. Porque isso também eles o fazem, só que apelando às emoções e aos sentimentos mais básicos das pessoas, onde colhem ódios e descontentamento de determinados nichos. Não é apenas o conteúdo, é a forma. É isso que os predadores fazem, encontram as vulnerabilidades das presas e exploram-nas a seu favor.

Portanto, é lógico que nem todos aqueles que participam das manifestações, que partilham os discursos (patéticos) ou os artigos dos articulistas, que seguem as suas páginas e os seus canais de Youtube, que partilham muitos dos impropérios e das fake news de vários sites, são nazi-fascistas, pelo menos ainda. O que não invalida que eles, os próprios, o sejam. As massas anónimas são o exército, físico e digital, que obedece aos generais da opinião, assumida ou anónima. Generais formados, treinados ou preparados durante décadas dentro dos partidos “democráticos” de direita, com o patrocínio de instituições e empresas privadas, para se tornarem os líderes de hoje, como Trump, Bolsonaro, Orbán, Salvini e André Ventura, ou os tipos do VOX.

O que lhes garante, que quando for necessário, poderão contar novamente com o seu apoio, pois a direita sempre foi mais pragmática e capaz de suplantar as suas diferenças e de se organizar em prol do objetivo principal, quer seja a chegada ao poder, quer seja o desmantelamento do Estado Social ou a desregulação dos mercados financeiros. Daí seja tão importante negar as evidências e disfarçar qualquer aparência antidemocrática: mesmo que o declarem abertamente nos seus programas eleitorais, ou que os seus governos sejam uma avalanche de abusos, violência, censura e perseguição dos direitos e garantias civis e sociais. Esse disfarce é uma via de mão dupla, útil para a legitimação de uns e necessário para o cinismo dos outros. Parece cocó, mas será que é?

Em muitos casos, chegam a matar, violar, agredir e torturar, para silenciar a oposição e os adversários, utilizando as mesmas forças armadas que muitas vezes os ajudam a chegar ao poder. Algo que acontece, hoje mesmo, em vários países. Então, se nada mudar, tudo fica como está: a extrema-direita a crescer a galope e os partidos de esquerda acuados, enquanto o centro se vai erodindo, sem capacidade de galvanizar as pessoas.

Por mim, observados os efeitos da obscenidade política no poder - em vários países, como no Brasil - diria que existem coisas que dispensam a prova para saber aquilo que são. A Democracia é um templo sagrado que deveríamos proteger de forma dogmática, até às últimas instâncias, por amor a nós, aos nossos familiares e amigos, e à liberdade. Portanto, se queremos mais segurança, serviços públicos e garantias sociais e laborais, devemos unir-nos e amar as nossas diferenças.

Por isso, se eles acham que o problema está em quem apela a que haja mais compaixão, amor e fraternidade, em quem define o espaço da democracia pela liberdade, em quem é odiado e visto como um incómodo para quem não tem nenhum projeto social a não ser excluir uns, matar outros e proibir o resto. Se o problema é esse, devemos aumentar o problema. Ou seja, exigir a criação e manutenção de uma sociedade onde haja mais paz e menos armas; mais policiamento de proximidade e menos coletes à prova de bala; mais serviços públicos de graça e menos discriminações; mais professores ou escolas e menos violência nessas escolas; reformas maiores e menos impunidade na banca; mais horas de descanso e menos abusos trabalhistas; mais impostos sobre as grandes fortunas e menos sobre os pequenos trabalhadores; mais salário e menos crueldades; mais inclusão e menos exclusão. Porque estamos todos no mesmo barco, o da Democracia.

A tempestade pode ser medonha, mas os marinheiros são homens de coragem, que não se assustam com qualquer jacaré.

Imagens de © Rui Gaudencio e © Geraldo Santos.

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