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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

No Pátio

no patio joao m pereirinha.jpg

Não era um pátio. Era o Largo do Poço do Concelho, onde ficava a casa onde os meus avós moravam e viveram durante cinquenta anos, nas traseiras da casa 'grande' dos senhorios. Quando o sr. General vinha passar as férias, era proibido brincar no quintal ou deixar alguma coisa desarrumada, para evitar provocar os maus humores do dono da casa. Mas quando ele não estava, as outras cinquenta semanas do ano, era como se os meus avós fossem os verdadeiros reis do castelo.


Era assim que dizíamos quando nos perguntavam onde eles viviam, no castelo. Como se fossem efectivamente donos de todo o reino e não apenas uns dos habitantes da velha aldeia muralha que resistia e resiste, apesar do tempo, para lá do tempo, das paredes de pedra e do chão que entretanto foi calcetado, arrancando as raízes dos velhos pinheiros, que eram sombra dos churrascos, abrigo dos cachorros e madeira para a fogueira do Natal.

O largo, para onde davam as traseiras da casa onde moravam os meus avós, uma rua comprida na desembocadura de uma pequena azinhaga, terminava num poço de água fechado, onde apesar das proibições, entre nós, irmãos e primos, testavamos a coragem de cada um saltitando por cima da tampa de cimento trêmula e insegura. Na verdade, temíamos mais a surra dos adultos, caso descobrissem, do que a queda no abismo de água negra que nos parecia uma porta ao fim do mundo.

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