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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

O Novo e o Velho

Palácio de Vila Viçosa © João M. Pereirinha

 

É natural existirem conflitos de pensamento entre gerações. O que não é útil à Sociedade é que o centro do debate político se esvazie no embate entre quadrantes etários. Dificilmente, qualquer forma política que exclua a salvaguarda dos interesses de uma geração, será uma boa política.

 

Num mínimo de esforço possível, cabe aos mais velhos saber aproveitar e catalisar a irreverência dos mais novos, amparando-lhe a falta de experiência e a ansia de conquista. Assim como aos iniciantes respeitar, aprender e crescer fruindo dos ensinamentos e orientação dos que lhes precederam em vida. Entre gerações e gerações. Essa aprendizagem, e capacidade de repassar ensinamentos e memórias entre os seres humanos são intrínsecos à Civilização.

 

A Democracia não significa, por isso, a supremacia da vontade da maioria sobre as restantes minorias. Significa sim, a escolha de alguém que possa desempenhar uma representação das ideias uma parte da população, sem que pra isso esmague ou esqueça e se sobreponha às fragilidades dos restantes.

 

No entanto, num cenário em que a população é claramente envelhecida, como em Portugal ser-se jovem, per si, constitui uma minoria. Uma minoria social que é, por mérito ou demérito próprio, muitas vezes colocada na desconfortável situação de confronto aberto entre ou perante outras gerações. Uma situação injusta e que em nada serve o bem comum.

 

Uma retórica que não visa se não o populismo e a procura de um «bode expiatório» procurando degradar o debate. Do modo do que tem acontecido no município de Vila Viçosa. Envelhecido, estagnado, numa região de interior e fronteiriça e com uma elevada evasão demográfica das camadas mais jovens, mas não só, e cada vez mais uma terra seca de cultura, ideias, inovação e qualidade de vida em geral.

 

Colocar gerações contra gerações, sem arbítrio, é partir do pressuposto que todos falhámos de forma irredutível. Partir do pressuposto de que a vida é imutável, assim como existe uma regra de conduta e pensamento exclusiva e inerente apenas a uma faixa etária. Isso não é verdade!

 

Nem os novos têm falha de o serem. Assim como não a terão por envelhecer. Sendo que, sem condescendências ou paternalismos, um dia amadurecidos, não se esqueçam que as melhores soluções não são aquelas que favorecem ou fazem valer o ponto de vista exclusivo de uma parte ou maioria da população. Nem, por sobranceria, desistam de aprender com os mais novos, e com o potencial, talento e pensamento muitas vezes refrescante que trazem consigo. Pois a competência e a exigência não são uma questão de idade.

 

Como não o são a iniciativa, nem o gosto. Como tal, uma localidade e um concelho que precisam avidamente de se renovar, deve procurar criar oportunidades, e não entraves, ao sucesso e ao desenvolvimento, individual e coletivo, por todas as vias possíveis. Não se trata de se tornar empregador (precário) direto de uma boa parte, ou de lhes atribuir algumas bolsas de estudo contadas. Mas antes de apostar nas suas ideias de desenvolvimento ou, no mínimo ouvi-las. Assim como permitir a fruição e participação na construção da identidade regional e cultural. Trata-se de apostar e não de hostilizar, com questões burocráticas, pontuais, fiscais, laborais e (até) legais ou discriminatórias. Exigir, mas também saber aceitar, «o que de melhor poderão fazer pelo seu país». Isso, ou Theodore Roosevelt nunca teria chegado a presidente dos Estados Unidos da América.

 

Por consequente, saber que não se fazem omeletes sem ovos, nem açorda sem pão. Crer ter um município dinâmico e embandeirar em arco quando: citados vultos locais; lembrados os ducados do passado; e vislumbrado o património local. Mas não promover o encontro entre a população e as instituições, nem existir um esforço de diálogo e apaziguamento, ao mesmo tempo que se sublevam afrontas e inimizades só pode ser uma receita para o desastre. Um desastre demográfico, social, cultural e qualitativo da Vida, dos Costumes e da Cultura local, tanto para o Novo, como para o Velho.

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