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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

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Totalitarismo Bafiento

August Landmesser.jpg

Não se trata de comparar ninguém a Hitler, ou estar a promover um ódio cego contra Trump - que tem ameaçado a democracia norte-americana, que tem neo-nazis na sua administração, que pretende (e está a) violar todo e qualquer tipo de tratado comercial e de guerra ou de paz a nível internacional, assim como as convenções de direitos humanos a nível nacional, que promove uma purga de uma classe religiosa, que ameaça governantes e políticos de outra família ideológica, que despede e persegue a maioria dos funcionários públicos ou agentes de justiça que o contradizem, que utiliza a comunicação como forma de propaganda e desinformação, promovendo mentiras, chamadas de "pós-verdade" ou "factos alternativos", cujo principal conselheiro tem ideias de uma guerra total como alavanca económica, pretende dividir a Europa e é apologista da tortura e ambos têm provocado o Irão - mas não, trata-se apenas de alertar que os totalitarismos nascem todos de uma fórmula - à imagem de muitos outros que já se implementaram por aí, mas ninguém quer ver - e cavalgam facilmente no apoio desinformado da população, com base na propaganda e nos jogos de distração e divisão que projectam o ódio em franjas da sociedade, com eco nos media, violando os direitos da maioria para implementar um plano de dominação ideológica, de caos geopolítico e de usurpação da democracia através de um estado de excepção perpétuo e uma vigilância e eliminação constante dos putativos inimigos.

 

Se alguém acha que a única crítica ou comparação a Hitler, em paralelo com qualquer totalitário, que se inspirou de facto em Mussolini - com quem todos diziam que também não havia comparações - é o facto de este ter efectivamente promovido o genocídio de milhões de pessoas, então eu só espero que não comprem ou não vos seja entregue nenhum bilhete para um comboio sem destino. Seja como for, de nada vale esta discussão quando, de facto, nas soluções quase ninguém pensa. Quase ninguém está interessado em reposicionar o diálogo. Aliás, há até demasiada gente que saiu dos cacifos bafientos e pejados de preconceitos para defender a bestialidade disto tudo. Curioso ou não, este argumento do "não há cá comparação possível" - que mina desde logo a perspectiva de análise - costuma vir de quem diz que "aqui também há gente a precisar", quando se fala dos 65 milhões de refugiados a morrer à fome e ao frio, que apregoa o "pragmatismo perante a realidade" e uma solução única quando se fala de políticas sociais e económicas, ou que quando se dirige a um comunista ou marxista, chama imediatamente à colação os Gulag de Lenine, Estaline e toda a URSS. É difícil falar de muros ou vedações contemporâneas quando muita gente ainda não se livrou dos ódios da década de 30 e ainda discute como se o muro em Berlim não tivesse caído.

 

Imagem: August Landmesser recusa-se a fazer a saudação nazi no lançamento do navio de treino SSS Horst Wessel, em Hamburgo, Alemanha, em 13 de junho de 1936.

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